XVIII Encontro Verde das Américas discute Futuro Sustentável

XVIII Encontro Verde das Américas discute Futuro Sustentável Evento internacional debateu sustentabilidade e enfrentamento das mudanças climáticas na Câmara dos Deputados Nos dias 3 e 4 de setembro de 2024, Brasília foi palco do XVIII Encontro Verde das Américas, evento de grande importância sediado no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados que reuniu especialistas, autoridades, empresários e estudantes para discutir temas cruciais sobre sustentabilidade e enfrentamento das mudanças climáticas. Com o propósito de fortalecer o compromisso global com a sustentabilidade ambiental, o evento aconteceu em um momento crítico para nosso planeta. No dia 03 de setembro o deputado Jorge Goetten participou da abertura do evento e destacou em suas palavras a urgência de se avançar em políticas de transição energética e o papel educativo do encontro, enquanto o ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, reforçou a necessidade de zerar emissões e intensificar adaptações às mudanças climáticas. Ambos trouxeram à tona a importância de eventos como este para apontar possíveis caminhos na busca de soluções sustentáveis. No dia 4 de setembro de 2024, o XVIII Encontro Verde das Américas continuou com debates e apresentações na Câmara dos Deputados, em Brasília. Francilma Alves Mendonça de Oliveira abriu o dia discutindo a “Desjudicialização das questões ambientais”, destacando a mediação como uma solução moderna para disputas ambientais. O embaixador israelense Daniel Zonshine compartilhou os desafios da gestão de recursos hídricos em Israel. Outros destaques incluíram discussões sobre a proteção das Ilhas Galápagos por Carlos Alberto Velástegui Calero, Embaixador do Equador em Brasília, e as preocupações climáticas da Colômbia com o Embaixador Guillermo Abel Ribera Flórez. Conhecido também como “Greenmeeting”, o Encontro Verde das Américas se posiciona como um “banco de ideias” permanente. Coordenado por Ademar Soares, o evento é uma plataforma para propostas inovadoras destinadas ao desenvolvimento socioambiental e econômico tanto do Brasil quanto do hemisfério. Um dos destaques do evento foi a entrega do Prêmio Verde das Américas 2024, reconhecendo indivíduos que fizeram contribuições significativas à defesa do meio ambiente e à melhoria da qualidade de vida em nosso planeta. Gostaríamos de expressar nosso sincero agradecimento pelo convite para participar deste evento e parabenizar os organizadores pelo alto nível de debate e pela excelência na condução do encontro. Este fórum de discussão busca oferecer um espaço livre de vínculos político-partidários, acessível ao público previamente credenciado, visando gerar um impacto duradouro através da influência em políticas públicas e ações que promovem a sustentabilidade. O Encontro Verde das Américas é um exemplo do engajamento contínuo necessário para enfrentar os desafios ambientais que se avizinham e reafirma seu compromisso com a construção de um futuro sustentável para todos.

Projeto de Lei Combustíveis do Futuro e a descarbonização dos transportes no Brasil

Combustível do futuro

Projeto de Lei Combustíveis do Futuro e a descarbonização dos transportes no Brasil O Brasil é uma potência mundial na produção de biocombustíveis e o Projeto de Lei nº 4516/23 visa estimular este mercado no Brasil. O PL intitulado também como “Combustível do Futuro” foi enviado em setembro de 2023 à Câmara dos Deputados e apresenta um conjunto de políticas para ampliar o uso de combustíveis sustentáveis e de baixo carbono no Brasil como biodiesel, SAF, biometano, diesel verde e etanol. O PL também prevê mudanças nas regras da mistura de etanol na gasolina e do biodiesel ao diesel convencional. O PL é importante, pois trazsoluções para a descarbonização da matriz de transportes do Brasil. Os transportes são responsáveis por cerca de 25% das emissões de gases de efeito estufa e parte importante do processo de mudança da matriz energética está na disseminação e uso de combustíveis de baixo carbono. A urgência na descarbonização dos transportes estimula a demanda por esses novos produtos e para a disseminação destas tecnologias. No entanto, a produção ainda encontra-se em estágios iniciais tanto no Brasil quanto no exterior e os custos de produção são mais elevados que o combustível fóssiel. Desde dezembro de 2023, o PL dos Combustíveis do Futuro tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados e no final de fevereiro de 2024 o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) entregou o parecer técnico sugerindo que a proposta seja votada. Entre as mudanças propostas estão a criação de um programa de incentivo à utilização de biometano, SAF, biodiesel e diesel verde assim como prevê mudanças no percentual de adição de biocombustíveis aos combustíveis tradicionais. Caso seja aprovada, a proposta passará ainda por avaliação pelo Senado, onde poderá receber ajustes e novas contribuições. Segue abaixo breve resumo preparado pela equipe da Lumine sobre os principais temas tratados no PL nº 4516/2023: a) BIOMETANO O biometano é obtido a partir da purificação do biogás e pode substituir o gás natural de origem fóssil sem necessidade de alterações nos equipamentos que queimam o combustível. A produção brasileira de biometano é estimada em 1 milhão de m³ por dia e estima-se que o volume total deva chegar a 7 milhões de m³ em 2029. A quantidade de usinas em operação no Brasil deve passar de seis para noventa no mesmo período. O PL, após as contribuições do relator, determina que os produtores e importadores de gás natural utilizem uma quantidade mínima de biometano no volume total de gás natural consumido ou comercializado. A mistura parte de 1%, em 2026, e pode chegar a 10% até 2034.  Empresas brasileiras como Orizon e Compass estão bem posicionadas para a produção de biometano no Brasil e tem investido em plantas para a produção deste combustível. b) SUSTAINABLE AVIATION FUEL (SAF) O PL estabelece também o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV) que visa estimular o uso e a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês) no Brasil. A partir de 2027, as companhias aéreas serão obrigadas a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa por meio da utilização de SAF. O SAF pode ser produzido por meio de matérias primas como óleos vegetais, etanol, resíduos orgânicos ou gorduras recicladas. O Brasil é um dos principais candidatos à produção de SAF de forma competitiva, pois o país conta com abundância de matérias-primas como cana-de-açúcar, milho e soja. O percentual da mistura do SAF no querosene de aviação deve começar em 1%, em 2027, e subirá gradativamente ao longo de 10 anos, chegando a 10% em 2037. O SAF polui cerca de 85% menos que o querosene de aviação utilizado atualmente. No mundo a produção de SAF ainda é insuficiente e a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) estima que a produção se ampliará de 600 milhões de litros, em 2022, para 1,9 bilhão de litros, o que representa 0,5% da demanda de combustíveis pelo setor aéreo. O mercado de SAF está em movimento no Brasil. A Raízen já possui certificação para a produção de SAGF a partir do etanol. A refinaria Acelen informou que está em fase de desenvolvimento de planta na Bahia para a produção de SAF a partir de macaúba. A Petrobras pretende desenvolver duas plantas dedicadas à produção de SAF e estarão em operação após 2028 com capacidade estimada de produção de 4 mil barris por dia. c) DIESEL VERDE O PL 4516/2023 cria também o Programa Nacional de Diesel Verde e estabelece política própria para produção e comercialização do diesel verde no Brasil. O diesel verde também conhecido como Hydrotreated Vegetable Oil (HVO) tem características em comum com o SAF. Ambos podem ser produzidos por meio de diversas matérias-primas orgânicas. Outra vantagem do diesel verde é que não exige adaptações em motores ou equipamentos que utilizam combustíveis fósseis para ser misturado ao diesel. O HVO é o tipo de diesel verde mais produzido no mundo, sendo o terceiro mais consumido atrás do etanol e do biodiesel e aquele cuja produção mais cresce no mundo. O crescimento da produção de HVO deve-se ao menor custo do produto e pela qualidade do produto que é adequado aos veículos mais modernos. O projeto estabelece que até 2037 os distribuidores de combustíveis no Brasil devem misturar uma quantidade mínima de diesel verde a ser definida que estará presente em todo o diesel comercializado no Brasil. O diesel verde é cerca de 85% menos poluente que o diesel de matérias primas fósseis. d) BIODIESEL Segundo a ANP, o biodiesel é um “combustível composto de alquil ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa, produzido a partir da transesterificação e/ou esterificação de matérias graxas, de gorduras de origem vegetal ou animal”. Ou seja o biodiesel é obtido pela reação de óleos animais ou vegetais com álcool ou metanol. O PL também regulamenta o percentual da mistura obrigatória de biodiesel no diesel convencional.  Para o biodiesel que é misturado ao diesel vendido ao consumidor final, a mistura obrigatória, atual é de 14%, o percentual subirá para 13%, em 2025, atingirá