Durante a abertura do evento, o ministro anunciou o lançamento do novo programa “Mineração para Energia Limpa”, que terá como objetivo desenvolver a indústria de transformação mineral e fortalecer o conhecimento geológico e a pesquisa mineral.

Veja abaixo o resumo do que foi discutido no dia 22/02:

Bloco 4 – A produção brasileira de minerais estratégicos para a transição energética.

O secretário de geologia, mineração e transformação mineral, Vitor Saback, fez a abertura com a apresentação sobre a descarbonização da matriz energética como o principal indutor do crescimento do setor de minerais estratégico como lítio, cobre, cobalto, níquel e terras raras. Entre as prioridades do Ministério de Minas e Energia estão: a) priorização na análise de atos de outorga de pesquisa mineral e lavra de minerais estratégicos, b) oferta de crédito por meio de bancos oficiais, c) promoção de oportunidades de investimentos em mineração no Brasil, d) desenvolvimento da infraestrutura, e) fomento à pesquisa, inovação e formação de mão de obra e f) desenvolvimento de políticas públicas sobre responsabilidade ambiental.

Após a abertura, foi realizado um debate sobre a produção brasileira de minerais estratégicos para a transição energética com participação do diretor de operações da Vale do Rio Doce, José Luis Marques, a CEO da Sigma Lithium, Ana Cabral, o CEO da Mineração Serra Verde, Thras Moraitis, e Debora Matos, pesquisadora do Serviço Geológico Brasileiro (SGB).

José Luis Marques apresentou a criação da empresa Vale Metais Básico, que visa destravar valor para a mineração de materiais estratégicos de baixo carbono para a transição energética. O diretor destacou o cobre e o níquel como os metais básicos produzidos pela Vale para a transição energética e que devem ter a demanda impulsionada pela eletrificação de automóveis e pela expansão do mercado de energia eólica e solar. No Brasil, o desafio é aumentar a produção de cobre e níquel nas minas brasileiras e negociar parcerias no exterior para desenvolvimento de minas destes metais.

Na sequência, ocorreu a apresentação da CEO da Sigma Lithium sobre a produção brasileira de lítio e as vantagens da produção brasileira em comparação à outros grandes produtores. As operações da Sigma Lithium no Brasil estão localizadas nos municípios Araçuaí e Itinga do Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. De acordo com a CEO da Sigma Lithium, Debora Cabral, o mercado de lítio no Brasil tem três características fundamentais: a) escala e a 4ª maior complexo industrial mineral do mundo, b) produto competitivo e custos eficientes de produção e c) produção mineral mais sustentável e com baixo impacto ambiental. Debora afirmou, ainda, que o Brasil tem ganhado mercado no exterior, enquanto os concorrentes tem saído do mercado internacional por conta do preço internacional mais baixo recentemente. Atualmente, a produção é de 270 mil toneladas por ano de concentrado de lítio grau bateria. O Brasil é competitivo na produção de lítio, pois é carbono zero, usa 100% de energia renovável, menor quantidade de água e os rejeitos são empilhados a seco. Tais características permitem o Brasil a ganhar mercados nos próximos anos. A produção de lítio em bruto tem como preço US$ 15 a tonelada, mas após o beneficiamento para a produção de bateria a mesma tonelada passa para US$ 1.100.

Sobre terras raras, o CEO Thras Moraitis da Mineração Serra Verde, que tem sede em Minaçu no estado de Goiás, apresentou panorama da produção brasileira e informou que sua planta iniciou produção em janeiro de 2024. A capacidade produtiva anual é de 5 mil toneladas por ano, o que coloca o Brasil como um dos principais players fora da Ásia na produção de terras raras.

Bloco 5 – Apoio oficial à transformação de minerais estratégicos no Brasil

O diretor Walter Baere do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) falou sobre as políticas públicas para o financiamento da expansão da cadeias de inerais estratégicos e terras raras para a transição energética. O BNDES tem linhas de financiamento para o desenvolvimento de soluções para apoiar o investimento em cadeias de minerais estratégicos e transformados de alto valor.

Bloco 6 – Políticas públicas e a expansão da ofertas de minerais estratégicos

Neste bloco estiveram presentes Mauro Sousa, diretor geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Lucia Travassos, representante da Sociedade Geológica Brasileira, Marcos André, diretor da Agência de Desenvolvimento e Inovação do Setor Mineral Brasileiro (ADINE) e Edimilson Maturana, coordenador de Licenciamento Ambiental do IBAMA.

Mauro Souza, diretor geral da ANM, explicou um dos principais gargalos é o processamento de licenças de pesquisas e lavras para os minerais estratégicos como lítio, nióbio, cobre e terras raras. Atualmente, a ANM tem mais de 20 mil requerimentos de pesquisas pendentes e 19 mil requerimento de lavras em análise. O prazo médio de análise é hoje de 10 a 12 anos. A redução deste período é uma das prioridades da ANM e está sendo tratada com simplificação dos processos de análise e disseminação de soluções tecnológicas na agência. Outra prioridade é a agenda regulatória do setor mineral que está em constante evolução, e visa simplificar o ambiente regulatório do setor mineral.

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