28 de novembro de 2025 por

Leticia Palma

Lumine na COP30

Lumine na COP30: o que acontece quando comunicação e relações institucionais jogam no mesmo time 

Durante dez dias intensos em Belém, a Lumine esteve mergulhada nos bastidores da COP30 apoiando iniciativas que vão da ciência de fronteira sobre florestas tropicais à articulação política de governos subnacionais da Amazônia. Foram dois grandes eixos de atuação, o primeiro relacionado à promoção de um painel científico internacional dedicado à Amazônia e o segundo, focado em apoiar a comunicação internacional de um consórcio de governos estaduais. 

Juntos, esses dois campos contam uma mesma história sobre algo que é central para a Lumine: reputação não nasce só de boas ideias ou de bons projetos. Ela é construída com método, estratégia e alinhamento fino entre comunicação e relações institucionais – antes, durante e depois de grandes eventos como a COP30. 

Os resultados são um bom termômetro. No caso do painel científico, a campanha gerou mais de 150 publicações em 27 países, em oito idiomas, alcançando um valor estimado de mídia de US$ 726 mil – significativamente menor do que esse montante. Cada dólar investido gerou um elevado retorno em visibilidade espontânea, com matérias em grandes jornais internacionais, redes globais de notícias, plataformas científicas internacionais e emissoras de TV de alcance mundial.

Já a atuação junto ao consórcio de governos amazônicos resultou em mais de 285 publicações, sendo 255 no Brasil e 35 no exterior, com valor estimado de R$ 1,34 milhão em mídia espontânea. A maior parte dessa visibilidade veio da imprensa brasileira por meio de grandes veículos nacionais e de uma rede ativa de mídias regionais nos estados da Amazônia Legal. No entanto, também houve presença relevante no exterior com matérias publicadas em outros sete países, em três idiomas, incluindo veículos multilaterais, publicações especializadas em finanças climáticas e plataformas focadas no Sul Global.

Estratégia é o ponto de partida

O ponto de partida desses resultados é a estratégia e o desenho político e institucional das campanhas. No caso do painel científico, o plano de comunicação foi construído a partir de três perguntas: que debates técnicos são realmente estratégicos? Em que momentos da COP esses temas ganhariam mais força? E quais públicos (governos, financiadores, mídia e instituições multilaterais) precisavam ser priorizados? A partir daí, foram definidos eixos de narrativa (ciência, conectividade ecológica, justiça climática, juventude e bioeconomia) e um calendário de ações casado com a agenda oficial e paralela da conferência.

Com o consórcio de governos amazônicos, o raciocínio foi semelhante, mas com foco em outra dimensão: mostrar que os estados da região são capazes de propor soluções concretas em temas como financiamento climático, regularização fundiária, cadeias produtivas sustentáveis e cooperação internacional. Nesse caso, também unimos a estratégia de comunicação com a de relações institucionais. Quais anúncios exigiam a presença de governadores e parceiros internacionais? Que painéis deveriam ser transformados em “produtos de mídia”? Como conectar lançamentos de plataformas de dados e mecanismos econômicos à narrativa de “floresta em pé com desenvolvimento”?

Relações institucionais como motor de visibilidade qualificada

Na COP, não basta aparecer, é preciso aparecer nos lugares certos, com as mensagens certas, na hora certa. É aqui que as relações institucionais fazem diferença. Em ambos os casos, o trabalho começou muito antes: mapeamento de atores-chave, construção de alianças com instituições multilaterais, universidades, fundos internacionais e redes da sociedade civil.

Quando um relatório científico é lançado lado a lado com organizações multilaterais, painéis de outros biomas tropicais e instituições acadêmicas de referência, a repercussão espontânea em mídias internacionais deixa de ser acaso e passa a ser consequência. 

O mesmo vale para governos subnacionais que chegam à COP com agendas alinhadas ao governo nacional, a parceiros estrangeiros e a organizações da sociedade civil. Nesses casos, a comunicação ganha densidade porque ecoa decisões, anúncios e compromissos concretos.

Em números, isso se traduz em matérias não apenas numerosas, mas ancoradas em veículos de alto prestígio, grandes jornais, plataformas científicas globais, redes de TV internacionais e mídia especializada que ajudam a posicionar os projetos apoiados pela Lumine como referências em seus campos.

Narrativas que atravessam fronteiras

Outro aprendizado importante da COP30 é que a reputação global exige narrativas coerentes em diferentes idiomas e regiões. Não se trata apenas de “traduzir releases”, mas de traduzir contextos. 

Tradicionalmente, atuamos em inglês, espanhol, francês e português, idiomas que estruturam boa parte do debate internacional. Na COP30, ampliamos esse escopo e incluímos idiomas como o chinês e o malaio, em diálogo direto com jornalistas e redações desses países, ajustando textos, títulos e enfoques para que cada press release falasse a partir da realidade de cada público, sem perder o fio central da mensagem.

No caso do painel científico, focamos a estratégia na mesma ideia central:  a Amazônia e as florestas tropicais do Congo e de Bornéu como sistemas vivos, decisivos para o clima do planeta.A repercussão foi muito positiva com destaque em veículos do Brasil, da Europa, da América Latina hispânica, da África, da Ásia e da Oceania, sempre adaptada ao contexto local, mas com unidade de narrativa. 

Já com o consórcio de governos amazônicos, a estratégia foi combinar forte presença ancorada na imprensa nacional e regional, com conteúdos específicos em inglês, espanhol e francês. A mesma iniciativa podia ser lida, no Brasil, como política pública concreta e, no exterior, como exemplo de inovação institucional e econômica para florestas tropicais.

Reputação como ativo estratégico

No fim, os números de mídia contam apenas parte da história. O que as campanhas da COP30 mostram é que reputação, hoje, é um ativo estratégico que se constrói em três dimensões:

a) Conteúdo sólido – informações relevantes organizadas e de fácil acesso, documentos jornalísticos em múltiplos idiomas, dados, ciência, políticas públicas consistentes, mecanismos econômicos bem desenhados.

b) Articulação institucional – capacidade de dialogar com atores diversos como governos, organismos multilaterais, setor privado, universidades, financiadores e sociedade civil.

c) Comunicação estratégica nacional e internacional – planejamento de narrativa, escolha de momentos-chave, relacionamento estruturado com a imprensa e produção de conteúdos em múltiplos formatos e idiomas.

Quando essas três camadas se alinham, empresas e instituições deixam de ser apenas “participantes” de uma COP para se tornarem referências em seus temas e reconhecidas por jornalistas, formadores de opinião, empresários e gestores públicos. É exatamente nesse ponto de encontro entre relações institucionais e comunicação estratégica que a Lumine atua: ajudando a transformar boas iniciativas em histórias que atravessam fronteiras, geram confiança e abrem caminho para novas parcerias e negócios.

Em síntese, a experiência de atuação da Lumine na COP30 mostrou que, em um cenário cada vez mais disputado por atenção, reputação não é um bônus, e sim a base para qualquer iniciativa que queira durar, influenciar decisões e atrair novos parceiros. Quando comunicação e relações institucionais trabalham, desde o início, lado a lado, a ciência ganha relevância política, os governos subnacionais ganham voz internacional e as agendas deixam de ser apenas “presenças em eventos” para se tornarem referências em soluções concretas para a crise climática.

Mais do que um ponto fora da curva, a COP30 foi um laboratório do tipo de entrega que queremos seguir fazendo: combinar método, escuta qualificada e estratégia para que projetos sólidos sejam vistos, entendidos e reconhecidos nos espaços onde as decisões são tomadas, ultrapassando barreiras geográficas, culturais e linguísticas. Porque, no fim, o que sustenta qualquer reputação não é só o que se diz a respeito de uma organização, mas a capacidade de transformar boas ideias em compromissos públicos, confiança duradoura e novas oportunidades de colaboração.

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